
Lição de cidadania
Há 26 anos o Instituto Integral de Vida (Pró-Vida) ajuda crianças carentes do Recanto das Emas
Texto e foto: Susana Senna
O Instituto Integral de vida (Pró- Vida), localizado no Núcleo Rural Vargem da Benção no Recanto das Emas, foi fundada em 1986 pelo casal norte americano David e Ruth Sanders, com o objetivo de prestar ações de caráter sociais como: cultura, esporte e ensino, voltados para crianças e adolescentes de baixa renda.
Em 1950 o local era uma escola agrícola, logo em seguida começou a funcionar uma creche. Atualmente é um projeto social que atende 320 crianças. “Já tiveram mães que me pediram para matricular o filho, porque em casa não tinha o que comer”, declarou Sandra Martins, coordenadora do Pró-Vida.
O projeto tem como objetivo resgatar valores adequados à sociedade menos favorecida e beneficiar jovens carentes, com atividades complementares no período alternado da escola. “O instituto ajuda esses jovens a não caírem no mundo das drogas”, afirmou o diretor executivo Celiomar Dias.
As crianças chegam por volta das 8h, trazidas pelo ônibus do Pró-Vida, que busca e leva todos os jovens. No caminho a garotada é acompanhada por monitores. Ao chegarem à entidade são direcionados para o refeitório, onde é feito uma lista de presença. Logo após é servido o café da manhã." Todas as crianças chegam bem animadas para as atividades do dia", afirma Kátia Tereza monitora do Pró-Vida.
A instituição não possui fins lucrativos e é mantida por doações de algumas igrejas associadas e . empresários que colaboram com o projeto. Vale lembrar que a entidade não realiza solicitações de doação por telefone. No caso, quem quiser ajudar deve ligar para o número (61) 3331-2132.

A Música do Corpo
O Instituto Batucar promove atividades de percussão corporal
Texto e foto: Susana Senna
“Eu fui um menino rebelde”, relembra André Soares, ex-aluno e atual professor do Instituto Batucar. André conta que tudo que é hoje se deve às oportunidades que a instituição o proporcionou. “O projeto presta um serviço à comunidade e ajuda na formação das pessoas”, destaca. O educador participa do projeto desde de 2008 quando o Instituto foi criado e tudo que aprendeu compartilha com os meninos da instituição.
O instituto Batucar é um projeto social que não possui fins lucrativos, há 10 anos ensina percussão corporal e instrumental para crianças e adolescentes de baixa renda, do Recanto das Emas. Registrada como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) (OSCIP) é designada para incentivar a cultura e o ensino das artes, especialmente a música em vários estilos.
A entidade surgiu pela iniciativa da Igreja Presbiteriana de Brasília, que cedeu um espaço e contratou um professor para dar aulas de violão. Na época, o número de alunos era pequeno e foi crescendo. Hoje conseguiram um espaço melhor, onde atendem 80 crianças no período alternado da escola." A nossa meta é atender mil crianças", diz Giselle Luisa professora do Instituto.
Um dos coordenadores, Ricardo Amorin, viajou para São Paulo e conheceu o grupo Barbatuques, que já utilizavam a percussão corporal como instrumento de música. Com essa nova possibilidade, nasce o grupo Batucadeiros, que hoje é o foco da entidade. Isso ajudou a desenvolver um trabalho social com os garotos, pois no começo a ONG não possuía muitos instrumentos musicais."A única alternativa era desenvolver atividades que utilizassem o corpo como ferramenta musical", afirma André Soares professor do Instituto.
A ONG sobrevive de doações da Igreja Presbiteriana de Brasília e alguns projetos musicais desenvolvidos dentro da própria instituição. Isso ajuda a dar continuidade ao projeto, tendo como apoio a presença do maestro Emílio de César, que trabalha como voluntário.
Atualmente o Instituto possui seis violoncelos, 20 violinos e duas violas, todos recebidos por doações. Entretanto, por ter sofridos alguns assaltos, a ONG permite que os alunos levem os instrumentos para casa." O Instituto já sofreu vários assaltos, por isso deixamos os alunos levarem os instrumentos para casa", afirma André professor do projeto.
A palavra “Ludicidade” está presente em todos os cômodos da casa e significa aprender brincando. “Antes eu não tinha nada para fazer, era tímida, agora sou outra pessoa”, afirma Michele Pereira, aluna do Instituo Batucar há quatro anos.
Quer sambar?
Todos os domingos o Grupo Sampegada agita as noites do Recanto das Emas no Bar Água na Boca
Texto e foto: Susana Senna
Tudo começou com uma brincadeira, neste ano o grupo Sampegada completa quatro anos de existência. Com muito trabalho e dedicação, os integrantes Niron Rodrigues (vocal), Pedro (percussão geral), Wesley (pandeiro) e Nelson Vinicius (cavaquinho), conseguiram superar as dificuldades e levar adiante o que mais gostam de fazer, contagiar e proporcionar alegria para as pessoas que curtem pagode. “Começamos a tocar na escola, o diretor gostou e a partir deste momento tocávamos todos os dias no intervalo”, afirmou o integrante Niron Rodrigues.
O grupo foi fundado por Pedro Oliveira, e em sua casa são realizados os ensaios da banda. "todos possuem a carteirinha da Ordem dos Músicos e também fizeram cursos para aprender a tocar os instrumentos", afirma o produtor Frank Henrique.
Para o produtor manter a banda não é fácil, porque eles não possuem patrocinadores. O dinheiro que mantém o grupo é retirado do cachê dos shows e do próprio bolso dos integrantes. “Tivemos problemas com uma gravadora, agora achamos melhor nos manter sozinhos”, declara Pedro Oliveira.
Para quem quiser apreciar o Grupo Sampegada, eles tocam aos domingos, na casa Bar Água na Boca, no Recanto das Emas, atrás da antiga Faculdade da Terra.
Uma breve história do Recanto das Emas
Texto: Susana Senna
Em uma área onde no passado existiam chácaras foi construída a região administrativa do Recanto das Emas. Fundada em 28 de julho de 1993, por meio da Lei nº 510, a cidade foi criada para atender um projeto de assentamento do então governador Joaquim Roriz. Ninguém sabe ao certo a origem do nome da cidade. Uns atribuem à presença de um arbusto chamado de canela-de-ema. Outros acreditam que a origem se deve ao fato de existir na cidade um sítio chamado Recanto no qual habitavam muitas emas.
A cidade evoluiu,hoje população é estimada em 160 mil habitantes. Mas quando o assunto é cultura local, a população reclama por não ter muitas opções na região. No entanto, Sandra Meire assistente de cultura da administração do Recanto das Emas, afirma o contrário. “A cidade desenvolve e apoia vários projetos sociais e culturais, entre eles: teatro, hip hop contra o crack e o carnaval”, declara. Contudo a moradora Nadir Silva, diz que não tem atividades culturais para a comunidade. “Moro no Recanto das Emas há 18 anos e o governo não investe nesta área”, conclui.