Diversidades culturais em Ceilândia
A diversidade cultural da cidade é algo impressionante, porém ainda falta interesse do governo para os artistas e produtores
Texto e foto: Júnior Assis
As culturas se misturam na cidade que tem a maior população do DF. Segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios, Ceilândia tem cerca de 398.374 habitantes, hoje não é apenas um pólo industrial, mas também cultural.
Os eventos que acontecem na cidade são os mais variados, envolvendo os estilos musicas, assim como o Hip Hop que tem uma cena muito forte, especialmente por meio do grupo Atitude que atua com oficinas de hip hop, cursos de DJ, edição de vídeo e uma serie de atividades com o apoio da comunidade e de alguns empresários. Casa do cantador, um local onde a música nordestina é o foco, as pessoas se divertem e provam uma boa comida típica, o local sempre enche quando acontecem esses eventos. Os músicos que participam dessas viradas culturais concorrem a prêmios além de divulgarem a cultura. “ Nós cantadores só temos a agradecer o apoio das pessoas que amam a nossa arte”, diz Zé viola.
Centro cultural e Biblioteca Pública de Ceilândia, locais onde acontecem diversas oficinas para ajudar os jovens e adolescentes a ficar longe das drogas. Os locais para divulgar a cultura de forma que o jovem possa aprender e desenvolver o talento são poucos, em muitos casos acabam fechando por falta de ajuda financeira. Ler um bom livro, cursos profissionalizantes, ou comprar artesanato, muitas vezes não é fácil. O morador da cidade Fernando da Silva não consegue fazer uma oficina por falta de espaço. “Tentei várias vezes fazer um curso, mas não consigo por que o numero de alunos é reduzido devido ao espaço e o governo não faz nada para mudar esse quadro, fico triste, pois existem pessoas interessadas em ajudar, mas não podem fazer muito por falta de investimento”, afirma.
A associação dos artesãos da cidade, que divulgam uma vez por mês o trabalho próximo ao restaurante comunitário, as feiras de Ceilândia centro, P sul, P norte e Setor “O”, são pontos da cultura nordestina na região, comidas típicas e vestuário são exemplos do que a cidade tem de atrativo para os mais diversos públicos. “Ainda falta muita coisa para fazer, mas estamos conquistando nosso espaço, a feira que realizamos no centro da cidade é uma grande conquista para todos”, afirma Motha Eustáquio presidente da associação dos artesãos de Ceilândia.
A cultura ainda não tem a valorização que merece, os grupos reclamam da falta de apoio do governo, isso porque as feiras ou atividades culturais acontecem muitas vezes sem ajuda de alguns grupos, o trabalho desenvolvido por essas pessoas para alcançar um numero maior de indivíduos necessita de empenho.
Opinião
Falta apoio
A cidade sofre com a negligência cultural
Texto: Júnior Assis
Os eventos culturais passam por sérios problemas em Ceilândia, as vezes se consegue alguma ajuda financeira, mas nem sempre é assim.
Para realizar algum evento que beneficie a população é preciso ir até a administração da cidade solicitar a liberação e em certos casos se tem de pagar uma taxa que é calculada por um funcionário do setor responsável por eventos na cidade.
Chega a ser hilário como a cultura tem sido desprezada em nossa cidade, porque complicar tanto algo tão simples, o que falta é uma gestão interessada em realizar esse trabalho. Os jovens estão cada vez mais se envolvendo com drogas pela falta dessas oficinas de cultura, para onde estão indo as verbas para a cultura. Será que shows com bandas famosas é cultura?
Cabe a cada um de nós reclamarmos e formar grupos que lutem de verdade pelos interesses da região. Quando isso acontecer teremos uma cultura valorizada e não será preciso lutar tanto para ter nosso direito cultural respeitado.
Atitude na formação
Jovens e adolescentes de Ceilândia recebem ajuda de ONG na formação profissional e humana
Texto e foto: Júnior Assis
Por Júnior Assis
Um caso de muita repercussão em Ceilândia é o grupo atitude que existe desde 1998 ajudando jovens e adolescentes a desenvolverem suas habilidades.
O grupo realiza oficinas de dança, edição de áudio e vídeo, produção musical, grafite, corte e costura e modelagem, design gráfico e serigrafia.
A formação cultural e profissional deveria ser uma preocupação dos nossos governantes, mas o que se percebe é que as organizações não governamentais tem feito esse papel.
Apesar desse trabalho desenvolvido pelo grupo, ainda falta muita coisa para atender melhor a população da cidade. As oficinas são desenvolvidas em uma casa que foi adaptada em salas e existe limitação de espaço. A entidade não tem apoio total do governo e nem dos empresários, essa é uma reclamação das pessoas que estão à frente do trabalho realizado com esses jovens. “muitas promessas são feitas, mas quando estamos prestes a ganhar um terreno para aumentar a capacidade de atendimento, acontece algo que outras pessoas são beneficiadas” afirma Sérgio de Cássio.