A cena rock de Brazlândia

Um pouco da história do movimento da cidade que era Goiás

Por Percy Souza

Brazlândia. A pequena fazenda da família Braz que em 1933 se tornou município de Goiás e anos depois passou a fazer parte do Distrito Federal é conhecida pela tranquilidade. Talvez por esse “pezinho” em Goiás, a música sertaneja faça tanto sucesso na cidade. Mas Brazlândia não é só isso. Se por um lado fomos influenciados pelos goianos, por outro não podemos esquecer do referencial de Brasília: o famoso rock’n roll da capital federal.

E não há como falar de rock na cidade sem citar o festival Overdose Rock que movimentava a cena musical entre os anos de 1992 e 1994. O evento foi responsável por dar o pontapé na cultura rockeira da localidade, porque além de trazer bandas de fora, estimulou também alguns moradores a produzirem shows com grupos locais. No Overdose se apresentaram bandas que marcaram a cena musical da cidade na época como Padres Lúcidos (folk rock) e Drops com Café. Os músicos da cidade relembram os tempos áureos.  “O Overdose era muito bom. Mas das bandas eram de fora, até porque aqui em Brazlândia não tinha muita coisa”, diz Pedro Cavalcante.

Com o fim do Overdose foi a vez do Monzo Bar movimentar o rock na cidade. O espaço ficava ao lado de onde atualmente funciona o Centro de Ensino Médio 3 e trouxe nomes do underground como a banda Bulemia. Famoso por ser formado apenas por apenas por mulheres, o grupo fazia um punk rock voltado para as causas feministas. Um grupos de amigos que levava ao pé da letra o lema “faça você mesmo”, se reuniu e reformou o espaço do Monzo. “Cada um ajudou como podia. Uns cuidavam da parte elétrica, outros ajudam a carregar os materiais”, recorda Pedro.

Seguindo a ideia de agitar o underground e, é claro, também à procura de um local no qual pudessem se apresentar, Pedro e o mesmo grupo resolveu promover shows. “Fizemos um formato diferente do Overdose. Demos prioridade às bandas da cidade”, diz o músico. Desse movimento surge, por volta de 1998, o Oficina do Rock. “Sem nenhum apoio do governo e sem patrocinadores, o jeito era tirar dinheiro do próprio bolso para bancar os shows”, lembra Pedro. O grupo liderado pelo músico se auto intitulava Meninos do Buchão, pelo fato de os rapazes organizarem o próprio show no qual tocavam. Além dos Meninos, se apresentaram bandas como Proliferrados e Conflito Permanente, que fazia um punk rock político.

O Oficina do Rock durou até meados de 2008. Já fora da organização do evento quando ocorreu a última edição do festival, Pedro acredita que a falta de apoio financeiro e a falta de comprometimento de algumas pessoas foram os responsáveis pelo fim do Oficina. Com o término dos shows, outros eventos agitaram Brazlândia, como o Ovo Rock em 2010, mas a ideia do festival não foi para frente e agora a cena rock da cidade adormece.

 

 

 

Falta de apoio do governo

Moradores, artistas e produtores culturais revelam como é difícil realizar um evento cultural em Brazlândia

Por Percy Souza

Brazlândia é conhecida por ter uma das melhores festas de Carnaval do Distrito Federal. No evento deste ano cerca de 30 mil pessoas compareceram à cidade nos três dias de folia. Bandas de axé, forró, sertanejo e pop animaram os foliões . Entretanto existe um problema: nenhum desses grupos era de Brazlândia. Sequer havia um espaço no evento para divulgação dos novos talentos da cidade. Assim como acontece no Rio de Janeiro e em São Paulo. Para o comerciante José Marcelo Lima, 44, falta investimento nos movimentos culturais da cidade. Já a artesã Carla Alcina, 27, define bem a atual situação da cidade: "A Administração Regional não apóia os próprios artistas da cidade". 

O administrador da cidade, Bolivar Rocha, afirma que esse modelo cultural com foco apenas em apresentações musicais chegou ao fim. "Shows agora apenas duas vezes por ano, nos eventos do calendário oficial". Porém para o músico Márcio Medeiros isso não é o suficiente, também é necessário apoiar as iniciativas locais. Para ilustrar, Medeiros narra uma situação que aconteceu com ele. "Estava organizando o Rock Gol, um evento que traria bandas de todo o DF para tocar na cidade. Três dias antes das apresentações, a administração cancelou tudo, porque segundo eles, o Ecad [Órgão responsável por fiscalizar o cumprimento dos direito autorais] havia proibido os shows". A assessoria de comunicação da Administração rebate e diz que solicitou ao Ecad a isenção da taxa para o evento, porém a entidade não concedeu o benefício. O músico também acredita que alguns setores do governo e até mesmo da população tem preconceito em apoiar eventos de rock.

O também músico Pedro Cavalcante encara a situação por um lado mais político. "Se a Administração realiza um show de rock, com sorte teremos um público entre 300 e 500 pessoas. Já o público do carnaval é bem maior, chama mais atenção e com certeza traz mais votos” conta.Não são apenas os dois músicos que reclamam da falta de apoio da administração. A produtora cultural Jackeline Lellys Basílio conta como é difícil produzir eventos na cidade. Organizadora do 1º Festival de Música dos Alunos de Escolas Públicas de Brazlândia, realizado em 2011, a moça reclama da falta de colaboração do governo. "A administração não deu nenhum apoio. Todo o trabalho de divulgação foi feito por nós mesmos. Eles não deram atenção ao festival", lamenta Jackeline.

 A produtora narra um episódio curioso que ocorreu durante a pré-produção do evento. “Certo dia estava saindo de casa para colocar o lixo na rua e percebi uma certa movimentação. Quando olhei era o governador Agnelo Queiroz que estava na cidade para vistoriar umas obras. Não pensei duas vezes, peguei o meu projeto e mostrei para ele. O governador adorou a ideia". Após essa atitude de Jackeline, o político pediu que a administração explicasse o motivo pelo qual não deu apoio ao festival. "Foi apenas dessa forma que o festival ocorreu", diz Jackeline. “Mesmo assim, o evento não ocorreu da forma como havia sido planejado.” Segundo ela mudaram de última hora a área onde seriam realizados os shows. A também organizadora do festival Maria Dores Lellys completa. “Nos colocaram em um local sem muita visibilidade, isolado. Além disso, mudaram de sábado para domingo, o dia da realização".

 

 

Governo sanciona lei que cria espaços para o desenvolvimento da cultura nas regiões administrativas

Batizados de Vilas Culturais, os locais servirão para promoção de atividades artísticas nas cidades

 

Por Percy Souza

 

Em fevereiro deste ano foi sancionada pelo governador Agnelo Queiroz a Lei nº 4.775, que cria as chamadas Vilas Culturais. Nesses espaços, segundo a norma, serão desenvolvidas atividades relacionadas a todos os campos artísticos. O texto da lei também diz que as Vilas Culturais serão espaços no qual os brasilienses poderão participar da gestão cultural da cidade e promover as diversas manifestações artísticas. E a cidade de Brazlândia foi uma das escolhidas para receber as primeiras unidades das Vilas Culturais. Foram reservados, por meio de emenda parlamentar, R$ 500 mil para implantação das unidades na cidade. O projeto existe e a verba também. Agora cabe às administrações regionais assim como a população trabalharem juntos para que o projeto saia do papel.

Assista abaixo a apresentação da banda Overdrivex com participação especial do rapper Paulinho